sábado, 21 de janeiro de 2012

Brasil é o segundo pior em desigualdade no G20

A distribuição de renda ainda é um grande desafio no combate à desigualdade no Brasil, na avaliação do deputado Domingos Sávio (PSDB-MG). Apesar de milhões de brasileiros terem saído da pobreza nos últimos anos, o país é o segundo com maior desigualdade do G20 (grupo que reúne as maiores economias), de acordo com estudo realizado pela Oxfam – entidade de combate à pobreza e à injustiça social presente em 92 países. Apenas a África do Sul fica atrás do Brasil.

Para o tucano, é preciso enfrentar a corrupção e a incompetência da área pública para que a nação se desenvolva de uma maneira justa para todos. “O governo precisa ser sério e competente. Tem faltado isso e sobrado demagogia. O Executivo usa de maneira insistente os programas sociais, que são necessários e importantes, mas que não devem se transformar em peças eleitoreiras. O governo acha que um país justo é um país que a cada dia amplia o número de dependentes”, declarou.

Segundo o parlamentar, a postura é equivocada. “Precisamos cuidar dos nossos pobres, principalmente para que eles saiam da linha de pobreza, deixem de ser dependentes do Bolsa Família e vivam de uma maneira independente naquilo que é essencial para a sua sobrevivência”, afirmou.

Na opinião do deputado, além das políticas de transferência de renda, o Estado deve melhorar o sistema de distribuição. Segundo ele, a repartição injusta de impostos entre entes da federação também é um agravante. “O que isso significa na prática? Lá na ponta o cidadão que depende da assistência da prefeitura e dos estados está na miséria, porque o dinheiro não chega até lá. O governo federal fica omisso dizendo que quer melhorar os indicadores, mas não ajuda nessa tarefa”, concluiu.

A pesquisa aponta que, se o Brasil crescer 3,6% em 2012 e acima de 4% nos próximos anos e mantiver a redução da desigualdade e de crescimento populacional, até 2020 serão 5 milhões de pessoas a menos na linha da pobreza. No entanto, se houver um aumento das diferenças, mesmo com um forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a meta não será alcançada. “O Brasil caminha para ser uma das maiores economias do mundo, mas não tem feito isso com justiça social. E vai continuar sendo um dos países mais desiguais se confundirmos crescimento do PIB com igualdade social”, alertou Sávio.

Economias emergentes

A pesquisa afirma que os países mais desiguais do G20 são economias emergentes. Além de Brasil e África do Sul, México, Rússia, Argentina, China e Turquia têm os piores resultados. Já as nações com maior igualdade, segundo a Oxfam, são economias desenvolvidas com uma renda maior, como França (país com melhor resultado geral), Alemanha, Canadá, Itália e Austrália.

O chefe do escritório da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst considera que o Brasil precisa estar atento às questões da sustentabilidade, da reforma agrária e do estímulo à agricultura familiar para reduzir a desigualdade. “O governo se tornou campeão em se gabar de doar Bolsa Família, quando deveria se preocupar em dizer quantos ele conseguiu tirar da dependência do programa para ser um cidadão em condições de sobreviver pelo seu trabalho.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário