sábado, 21 de janeiro de 2012

Privatização dos aeroportos e falso discurso do PT

“Devagarzinho, o governo vai convertendo em pantomima o discurso antitucano do PT. Sob Dilma Rousseff, Brasília mimetiza a gestão FHC. Reproduz na prática o que o petismo critica na teoria. Primeiro, Dilma decidira entregar à iniciativa privada aeroportos que o Estado não consegue gerir. Vão ao martelo as instalações de Brasília, Guarulhos e Campinas. Agora, Dilma autoriza o bom e velho BNDES a imprimir suas digitais na operação. Em nota, o bancão oficial informou: vai financiar as concessões dos aeroportos em até 80%.”

 Acima, o trecho que inicia um post do Blog do Josias, jornalista dos mais considerados na imprensa brasileira e cujo trabalho é lido por milhões. Ele mostra, de forma direta, o padrão desse engodo chamado PT no Brasil. Durante as privatizações da era FHC, o PT saiu às ruas para combatê-las. Do mesmo modo que combateu o Plano Real anteriormente e, depois, a Lei da Responsabilidade Fiscal, que tantos benefícios trouxeram ao Brasil. No caso das privatizações, o principal argumento era que o governo estava usando dinheiro do BNDES para ajudar empresários a comprarem o tal do “patrimônio nacional”.

Antes de prosseguir, vejamos um pouco o que eram algumas empresas desse “patrimônio nacional”. As empresas de telefonia, todos pertencentes ao governo, haviam conseguido, eu quase um século de atuação, colocar 20 milhões de linhas telefônicas para uma população que passava dos 140 milhões à época das privatizações. Como muitas empresas tinham muitas linhas, o telefone que sobrava para a população era raro e se transformou num bem de investimento. Uma linha em área nobre de Campinas (sim, as linhas tinham preços diferenciados dependendo do bairro) chegou a valer US$ 5 mil (sim, cinco mil dólares!). E havia cotações diárias nos jornais do preço das linhas, vendidas por empresas privadas (as estatais demoravam de dois a quatro anos para instalar uma linha). Mas o PT era contra a privatização.

A Vale do Rio Doce era um elefante de ferro e aço que não saía do lugar. Cabidão de empregos, raramente dava lucros, pois sem dinheiro para investir em tecnologia e novas prospecções, a empresa estava parada no tempo, mas com inúmeras diretorias entregues a partidos políticos. Privatizada, foram nela investidos mais de U$ 60 bilhões e hoje, além de ser uma das maiores, se não a maior do mundo, o que ela paga só de impostos é dezenas de vezes mais do que pagava, quando havia, de lucro à época da empresa pública. Mas o PT era contra a privatização da Vale.

Os bancos estaduais eram um ninho de produção de inflação, com a emissão de bilhões em títulos parta cobrir financiamentos a governos estaduais, seus proprietários, não pagavam. O maior deles, o Banespa, torrou mais de US$ 600 milhões em empréstimos ao governo Quércia para garantir a eleição de Fleury. Para se ter uma ideia da irresponsabilidade com o dinheiro público, o próprio ex-governador disse ao final de seu mandato que ele havia falido o banco, mas eleito o sucessor. Mas o PT era contra a privatização dos bancos estaduais.

Agora, há 9 anos no poder e demonstrando total incompetência para gerenciar os aeroportos do Brasil – a Infraero se transformou no governo Lula-Dilma numa indústria de corrupção – os petistas percebem que a solução é a privatização que tanto combatiam. E, pior, usam do mesmo método que tanto criticaram para privatizar os aeroportos, demonstrando que os discursos contrários tanto às privatizações de um modo geral quanto ao uso do dinheiro do BNDES eram falácias, conversas para ganhar eleição e uma postura completamente desonesta em relação ao Brasil. Esse é o PT, o partido da desonestidade que, com uma propaganda altamente enganosa, vem conseguindo se manter no poder.    

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